
Nem todos os atores escalados para o remake de “Pantanal”, sucesso histórico que foi lançado originalmente em 1990, assistiram a primeira versão da novela, produzida pela extinta TV Manchete, algo que dividiu opiniões entre o novo elenco.
Com a trama voltando ao ar após 32 anos, tem quem acredite que é necessário revisitar a obra na qual foi baseada, mas também quem dispense perder esse tempo e prefira colocar sua originalidade em cena, como anteciparam os artistas, em coletiva. Entenda!
Entenda por que a primeira versão de “Pantanal” dividiu opiniões
“Está todo mundo com um pé no novo, a gente vai descobrindo junto”, resumiu Marcos Palmeira, sobre a imersão dos atores de “Pantanal” em seus personagens. A mistura de atores “jovens e experientes”, nas palavras do ator, está dando um ar de novidade para o remake produzido pela Globo.
Mas nem todos os atores quiseram ter contato com a obra original, ainda que o autor, Bruno Luperi, tenha tentado se manter fiel ao que foi escrito pelo avô, Benedito Ruy Barbosa, no passado. Isso porque muitos deles preferem criar suas próprias versões do personagem em questão.
“Alguns aqui assistiram, outros não quiseram assistir, não teve isso de não podemos ver, cada um foi buscar alguma coisa na fonte que acha importante”, defendeu Palmeira, que foi um dos atores da versão original escalados para voltar ao remake, dispensando um estudo mais aprofundado da obra, que já tanto conhece.
Por fazer outro papel na época, o de Tadeu, Marcos deu assistência para o novo intérprete do seu personagem original, José Loreto. “Marquinhos foi tão sensível, tão generoso”, relembrou o ator. “Me dá dicas o tempo inteiro sem saber. Quando eu ia fazer alguma coisa com os peões, sempre me apontava o caminho, sem me dizer que estava dando”.
“Um dia eu fiquei lá, cheguei quase fim de tarde (na fazenda), eu cheguei diferente, com uma vivência diferente, e ele olhou nos meus olhos e disse: ‘é esse olhar aí’, isso tudo fazia eu registrar esse Tadeu, ir incorporando”, acrescentou o ator, aprendendo direto da fonte.
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Do time dos que quiseram assistir a novela, estão Gabriel Sater, que já era telespectador na infância, mas tinha curiosidade em ver como o pai, Almir Sater, representou o peão Trindade, e Bella Campos, a Muda, que acabou desistindo ao longo dos capítulos da primeira “Pantanal”.
“Quando eu soube que ia ter o remake, comecei a assistir para entender do que se tratava, entender um pouco ali daquele mundo. Eu sou de uma parte do Pantanal e nunca tinha assistido, quis enxergar como aquilo tinha sido contado, mas quando eu soube que faria uma personagem mais da segunda fase, preferi não assistir mais. Já tinha entendido o conceito”.
Para Alanis Guillen, a Juma, “é inevitável a gente não voltar para essa primeira versão e entender esse universo”. A atriz, que não era nascida na época, pesquisou bastante na imersão, mas decidiu seguir sozinha em certo ponto, quando caminhavam para a reta final.
“Quando a gente foi mergulhar para finalizar esse trabalho, a gente teve que fazer essa busca muito pessoal. São atores diferentes, é uma época diferente, um mundo diferente de 30 anos atrás, então não se manter preso ao que foi é o caminho de maior encontro com a verdade, para se manter fiel à própria trama”.
Dira Paes, que assume a fase madura de Filó, assistiu “Pantanal” diretamente da época de 90 e ainda lembra de quase tudo: “Foi um momento marcante para mim como espectadora e como atriz, lembro de personagens icônicos, como a Guta, que vinha com a força de uma mulher que a gente não costumava ter como postura”.
